Minha atividade terapêutica sustenta-se em três pilares: a) o método cadeísta GDS associado às propostas de consciência e reeducação motora desenvolvidas por M. M. Béziers; b) conhecimentos e práticas advindos do yoga; c) a cinesiologia psicológica associada a terapias energético-vibracionais. Nos atendimentos, a articulação desses métodos é feita de acordo com as demandas de cada cliente e segundo uma orientação transpessoal.

1.
O método das cadeias musculares e técnicas GDS foi desenvolvido nos anos 60 e 70 por Godelieve Denys-Struyf, biomecanicista, fisioterapeuta e osteopata belga. A abordagem cadeísta GDS parte de um enfoque psicocorporal de prevenção e de cura e atua no despertar da consciência corporal. Busca o funcionamento harmonioso do corpo, o respeito a sua tipologia, o equilíbrio dos seus vários segmentos e a unidade e organização desses segmentos ao redor de um centro. O corpo tem uma linguagem e os códigos corporais utilizam os grandes conjuntos musculares para se exprimirem. O psiquismo induz a um comportamento, a uma maneira de utilizar o corpo. Essa utilização corporal dá forma a gestos, posturas e articulações. Quando um excesso ou falta de tensão bloqueia ou congela o corpo dentro de certos padrões gestuais, ocorre uma desarmonia que resultará em deformações e em sofrimentos. O método GDS propõe a leitura e a decodificação das mensagens gestuais e posturais do corpo por meio das comunicações verbais e não verbais entre terapeuta e paciente, seja pela expressão física, pela investigação de sintomas ou da história de vida. Tal entendimento irá possibilitar a delimitação de um “terreno”, psicomotor e anatômico, com seus pontos fortes e fracos, e sugerir uma abordagem terapêutica e uma estratégia de prevenção. De posse das estratégias de ação, o terapeuta tem a liberdade de escolher a(s) técnica(s) que mais se adequa(m) ao padrão psicocorporal e às demandas do paciente. A abordagem de Marie-Madeleine Béziers, fisioterapeuta belga, ensina a preservar a estrutura motora especificamente humana, respeitando o padrão motor comum a todos. Aponta para a noção de globalidade do movimento e introduz o corpo em um novo padrão de experiências multiespacias. A combinação dos métodos GDS e Béziers propõe uma diversidade de técnicas: manobras de harmonização das tensões musculares; modelagens e posturas que associam contrações isométricas e estiramentos; respirações e mentalizações, bem como gestos e movimentos macro e micro, todos organizadores, modeladores e restauradores da coordenação psicomotora.
Leituras Recomendadas:
Béziers, Marie Madeleine.
A Coordenação Motora: aspecto mecânico da organização psicomotora do homem. São Paulo, Summus, 1992.
Denys-Struyf, Godelieve.
Cadeias Musculares e Articulares: o Método GDS; São Paulo, Summus, 1995.
   
2.
O Yoga, como se sabe, faz parte de uma vasta e riquíssima tradição milenar. Quando acontece nos atendimentos individuais, surge para coroá-los com suas primorosas e eficazes práticas de respiração, autocentralização  e contemplação.
   
3.
A Cinesiologia Psicológica é um método de integração físiopsíquica, uma abordagem em psicologia que entende o ser humano como uma unidade que engloba as expressões físicas e psíquicas. A fala do corpo é entendida como "expressão simbólica" da “alma” - e atuar sobre um corpo é também atuar, sincronicamente, sobre o organismo como um todo. A proposta de trabalho da Cinesiologia Psicológica ou Integração Psicofísica foi desenvolvida por Petho Sándor (1916-1992), médico e psicoterapeuta húngaro radicado no Brasil desde 1949. Adotando como fundamentação conceitual a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, Sandór criou uma metodologia de trabalho corporal por ele designada de Calatonia. A Calatonia é uma técnica de distensão muscular ou de regulação do tônus, que consiste em toques sutis realizados na pele do paciente. Sua atuação, porém, vai além do nível apenas muscular, promovendo também "reorganizações psicofisiológicas" em vários níveis. De fato, os estímulos do toque atuam sobre os inúmeros receptores nervosos existentes na pele e se propagam naturalmente (por meio das vias neurológicas as quais estão conectados) para o sistema nervoso como um todo. As resultantes dessa interação podem ser reações fisiológicas ou motoras (sensações, movimentos mais ou menos sutis etc.); reações emocionais (como recordações e associações); ou mesmo alterações do estado de consciência análogas às provocadas por práticas de meditação (com a eventual visualização de imagens, audição de sons etc).      
Os conteúdos que vêm à tona podem ser elaborados dentro do próprio contexto da terapia por meio da mobilização dos vários recursos verbais e não verbais disponíveis ao terapeuta.  Contudo, as atuações terapêuticas e preventivas não verbais podem também promover um auto-realinhamento do sistema psicofísico por meio de processos mais sutis, tornando-as, em alguns casos, auto-suficientes.
Leitura Recomendada:
Farah, Rosa Maria. Integração Psicofísica: o Trabalho Corporal e a Psicologia de C.G. Jung. São Paulo; Robe Editorial, Editora C.I. Ltda; 1995.
 
   
4.
Em minha experiência de trabalho, a orientação transpessoal vem alinhavar, com fios de ouro, todos os métodos anteriores. É uma abordagem em Psicologia que trata do estudo da consciência em suas múltiplas dimensões: resgata a dimensão energética e considera os vários níveis da realidade na experiência humana. A psicoterapia transpessoal recolhe o conflito do mundo cotidiano e eleva-o a outros níveis da realidade, por meio de informações intuitivas; de auto-descobertas; de toques sutis; de práticas de respiração, visualização, concentração e meditação; de gestos e posturas diluidoras de bloqueios; de relaxamentos etc. Uma vez recolhido e trabalhado, esse conflito é devolvido transmutado para o nosso mundo cotidiano.
Leitura Recomendada:
Saldanha, Vera. Psicoterapia Transpessoal – abordagem integrativa: um conhecimento emergente em psicologia da consciência. Ijuí, RS,  Editora Unijuí, 2008.


 
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